os verdadeiros piratas da Somália

¡Piratas! from Juan Falque on Vimeo.

Como a história dos piratas da Somália esconde de facto a pirataria de estados poderosos e condena o futuro da pesca à data limite do ano 2048. Comes atum? E outros peixes? De origem espanhola ou francesa? Fica sabendo que a Espanha e a França empregam todas as técnicas ilegais de captura de pescado no golfo da Somália e são responsáveis por 60 e 40 por cento do total de pescas naquela região, esgotando toda e qualquer reserva existente. Um quarto dessa captura selvagem é devolvida ao mar, morta. E depois outros estados despejam, no mesmo sítio onde é pescado o peixe que consumimos, todo o lixo tóxico que lhes apetece.

o que nos dizem os olhos


Todos os dias nos cruzamos com eles, os gatos e os cães vadios da cidade, do bairro, de perto de casa. Quando deixamos de os ver, assumimos que resolveram mudar de morada. Imaginamos que alguém resolveu adoptá-los.
O que acontece não é tão pacífico. Quando sobrevivem à falta de condições da rua, aos atropelamentos, à fome, aos imbecis que os usam como divertimento, os gatos e os cães que se cruzam connosco são apanhados pelos serviços camarários e abatidos ao fim de algum tempo.
Regra geral, as carcaças são aproveitadas para fazer farinhas e rações para outros animais de criação. Que depois comemos. Portanto, da próxima vez que olharem para um gatinho na rua, podem tentar calcular o próximo frango ou bifana em que vai estar presente.

Declino

Fiel multidão de leitores,

Hoje o que tenho a dizer-vos é muito simples, e posso dizer que, de tão simples, ainda me encontro um pouco espantadiça. Pois aqui vai:

1 – Saber é tramado.

2- Não fechar os olhos da consciência é fogo, arde e vê-se.

3-Perante as informações, as discussões, as reflexões, decide-se.

4-Eu decidi tentar deixar de comer carne e peixe, e de usar calçado de pele.

5- Por quê?  Imperativo ético, compaixão pelos animais, repúdio do acto tão vil quanto triste de colocar vaquinhas em cubículos imobilizadas, para que as comamos tenrinhas, e isto depois de as separarem violentamente das mães que choram. Pelo direito inalienável à vida dos seres vivos, especialmente dos sencientes.

Agradeço especialmente ao António Caldeira, cabeça de lista do PAN por Leiria, por ter sido a primeira pessoa a alertar-me para a relação entre ética, humanismo e consumo de animais, há já um tempo atrás.

E, como todos sabemos, as conversas importantes ecoam para sempre na nossa cabeça e no nosso coração.

6 – Medalhões de tofu e seitan e hamburguer de soja? Mais do que aprovados!

com uma ajudinha dos cães


Este documentário passou na RTP 2 e mostra como evoluímos com a ajuda dos cães. Pelos vistos, os nossos melhores amigos descendem do lobo cinzento, um animal que tem uma estrutura social semelhante à nossa. E desenvolveram os seus latidos de forma a poderem comunicar connosco. Claro que a gente lhes paga a pontapé, se for preciso. Não percam este documentário.

abutres alfabetizados

Dilectos leitores, em primeiro lugar  aqui vai o meu grande agradecimento à Tangas pelo seu entusiástico e definitivo convite para participar neste blog (escrevo mesmo sem o “ue”, habituem-se, e não é qualquer síndrome anti-europeísta…ou quiçá…) certamente de sucesso. Bem-vindos, então, a estas Tangas Animalescas cheias de questões mas, sobretudo, de uma paixão animalescamente animal e, antes de tudo, humana.

Antes de tudo humana?, poderão perguntar os mais incautos. Sim.

Este meu primeiro post encontra um enquadramento perfeito no último texto da menina Tangas: as intersecções do mal que apresenta são, não obstante aquilatáveis em estudos recentes, perfeitamente compreensíveis e aferíveis pela nossa multissecular escola da Humanidade. Decerto que quem pontapeia um cachorrinho maltratará, em ocasião oportuna, qualquer outro ser vivo, sem quaisquer contemplações para com o ser vivo humano, seja infantil, juvenil, adulto ou sénior. Situações de violência doméstica e de maus-tratos infligidos a crianças, bem como de agressões a animais, casos referidos no texto citado pela nossa Tangas-Mor, revelam antes de tudo uma predisposição para a covardia e para a selvajaria, bem como o sórdido prazer de humilhar quem pode menos e que, por isso, é sobranceira e automaticamente caracterizado pelo agressor como inferior e digno do enxovalhamento que lhe der na realíssima veneta. O abuso, a violência e a crueldade constituem, na verdade, uma linguagem universal e que por isso não conhece barreiras nem se perde em considerandos, sendo muito pouco discriminatória dos seus objectos de interesse.

Se é certo, contudo, que rapidamente concordamos com esta perspectiva e reprovamos, zelosos de civilidade e humanismo, tais comportamentos, não é menos pertinente que continuamos alegremente a alimentar a cruel indústria do consumo animal no limpo recato do nosso lar e no apetite indefectível às nossas mesas. Estraçalhamos mais um pouco a pobre vaca enquanto afagamos carinhosamente o gatinho com o qual partilhamos o mesmo tecto. A outras mãos o trabalho sujo (como diz a canção, “alguém tem de fazê-lo”), e às nossas papilas o prazer do naco suculento na brasa, no forno, no estômago.

Tendo em vista este interessante e terrífico cenário, pergunto se seremos isentos daquele sangue, ou pior, daquele atroz sofrimento de que já temos miríades de notícias, fotografias, vídeos, reportagens e testemunhos chocantes. E é claro que esta pergunta não é para encher chouriços (porque  a este ponto a metáfora será, no mínimo, desagradável), mas é de bem fraca retórica. Claro que sabemos a resposta. Mas, “orgulhosamente sós” e dotados de Razão, convivemos bem com a nossa desumana humanidade.

É verdade que várias pessoas, grupos, associações, movimentos têm denunciado esta situação e apelado às nossas delicadas (débeis?) consciências. Mas a grande novidade a este respeito é a de um jovem partido político que, no seu programa eleitoral e nos seus princípios, tem como uma das principais bandeiras a defesa da senciência dos animais, ou seja, da sua capacidade de sentir dor, prazer, stress, e a necessidade de serem por isso considerados seres sencientes e não “coisas”, forma como são enquadrados (diria que inacreditavelmente) no Código Civil. Esse partido chama-se Partido pelos Animais e pela Natureza, o PAN, e ouviremos falar mais da sua actividade, designadamente no que respeita à sua humanística defesa animal.

E nós cá vamos, assobiando para o lado, programando rodadas de bife com natas (bem passado se faz favor, que a carne vermelha enoja-me) e pizza , deleitando-nos com a modernidade da civilização que tudo nos permite, como por exemplo sermos tais alegres abutres alfabetizados. Vai uma coxinha enquanto damos umas voltas ao Proust?

três em um: abusos

(…) É fácil perder de vista a visão global. É fácil passar por cima do facto de o abuso contra crianças, contra animais e a violência doméstica estarem directamente relacionados, como diferentes manifestações do denominador comum da violência familiar. (…)

(…) 1. Os animais, particularmente os animais de companhia, mas também os animais de quinta, são importantes membros da família.

2. Actos cobardes de agressão contra membros vulneráveis da família são questões de poder e de controlo. Tenham as vítimas duas ou quatro patas, a questão é mais de oportunidade que de outra coisa.

3. Os actos de agressão contra qualquer membro de uma família põem em risco todos os seus membros e também outros elementos da comunidade. Só muito recentemente os investigadores começaram a debruçar-se seriamente sobre o impacte a longo prazo da violência sobre animais levada a cabo ou testemunhada por crianças.(…)

– Hugh H. Tebault, Sr.

Não raro, a ameaça de violência sobre animais de estimação pode impedir uma vítima de abusos de se rebelar contra o agressor. A crueldade para com o animal é apenas mais uma forma de controlo pelo terror.